segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ideias acerca da leitura.

Quando falo de leitura para meus alunos, sempre busco idealizar a leitura como um feito mágico. Onde posso me envolver nos mais diversos pensamentos, sem fobia e reviver momentos de verdadeira harmonia entre passado e futuro; entre realidade e fantasia; entre amor e ódio; entre a paz e a guerra; entre a felicidade e a desilusão; entre você e o seu mundo . Hoje fiz a leitura de um poema de José Paulo Paes, ao qual vou pedi licença para reproduzir aqui.

Convite
Poesia 
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como a água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

José Paulo Paes. Poemas para brincar.
São Paulo: Ática, 1997. p.3.


Trago essa poesia apenas para ilustrar minhas ideias acerca da leitura. Penso que a leitura não pode ser atrelada a uma obrigatoriedade, nem mesmo associá-la à nota, porque acaba levando o leitor para  uma impressão equivocada da leitura, contrária ao prazer da leitura, de fato. Nós enquanto mediadores da leitura devemos sugerir ao nosso público-alvo um caminho de volta ao momento da vida em que ele gostou de ler. Neste espectro aproveito para lançar uma pergunta: quando e quem o iniciou no mundo da leitura?   A resposta a essa pergunta é o ponto de partida para a retomada do mediador de leitura.
Tenho elaborado algumas estratégias que visam colocar o leitor em contato com os mais diversos gêneros, por último dispus uma série de resenhas fixadas nas carteiras da minha sala, visando o despertar para a leitura de alguma delas, o que já é um bom começo. Não são raras as vezes que vejo alunos debruçados sobre elas, chego a disfarçar para não afugentá-los, porque se perceberem que eles estão sendo fisgados reagem e não se deixam levar.


















sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Leitura: "Retratos do Brasil"


Sou professou na Rede Pública Estadual paulista há 5 anos, e tenho acompanhado de perto as estratégias para o desenvolvimento da leitura, na escola, na comunidade, no imaginário popular e, sobretudo, as políticas públicas para este seguimento. Instigado pelo que tenho ouvido em conversas com colegas professores, colecionei uma série  de comentários acerca do desenvolvimento da leitura, especialmente relacionado aos seguintes preceitos: "os jovens de hoje não querem ler", "o Brasil é um país de não leitores", os brasileiros não leem porque o livro é muito caro, ou ainda os brasileiros leem menos que europeus porque o clima aqui é maravilhoso e convidativo para viver á beira mar, ao contrário do clima abaixo de zero do Velho Mundo. A pesquisa encomendada pelo Instituto Pró Lvro - IPL, indica resultados diferentes do discurso da maioria, para ter acesso à pesquisa acesse o site: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2012/03/Retratos-da-leitura-no-Brasil-.pdf .
Na prática eu tenho feito pequenas ações que, certamente, servirão para compor o conjunto de outras ações voltadas para o desenvolvimento da leitura nas escolas e na comunidade. Esta que você vai acompanhar é a última da semana. Consiste em dispor uma série de resenhas coladas nas carteiras, buscando, de forma pouco incisiva, envolver o estudante no mundo da leitura.  Confira outras publicações a respeito do tema. http://nonnattofilhos.blogspot.com.br/2011/12/o-poder-da-leitura.html
Ações envolvendo professores.http://nonnattofilhos.blogspot.com.br/search?updated-min=2010-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2011-01-01T00:00:00-08:00&max-results=29. Ações envolvendo alunos - roda de leitura. http://nonnattofilhos.blogspot.com.br/2010/08/desescolarizacao-da-leitura.html






Dupla cola resenha de livro na carteira, a estratégia visa ao desenvolvimento da leitura, por meio da imersão literária.


Mãos na massa, alunas recortam papel contact para  fixar resenhas nas carteiras.






Observe ao fundo o garoto de camiseta verde. Ele veio até onde eu estava e disse:  "isso aqui é da hora professor", perguntei de qual resenha ele gostou, ele respondeu, apontando para a carteira: "aquela da bruxa".

Aluno observa exposição na sala de leitura.






Saber ouvir é um grande passo em direção à tolerância ao diferente.





segunda-feira, 30 de julho de 2012

Toninha Carara em foco

Toninha Carara visita Jd. da represa e dar entrevista em rádio local. 


Maria de Lurdes (Roxa), posa de recepcionista.  


Professor Nonato indaga como o trabalhador/artista autônomo pode participar deste grupo e tornar suas habilidades lucrativas.

Jornalista e professora aposentada, fala sobre percurso na Pastoral Operária em São Bernardo do Campo.




Desafia moradores do bairro à procurá-la no Centro de Trabalho e Renda - CTR, à rua Marechal Deodoro, 2316, para conhecerem o centro de solidariedade ao trabalhador.








Manoel Tavares, acompanha perguntas feitas por Arlindo e Vilmar, apresentadores do programa a voz da comunidade.




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Falares e Dizeres da Cultura Local








Em meados de 2009, minha esposa a Janete, então funcionária do posto de saúde do Jd. Represa me disse que fora convidada para, naquela tarde, (de sábado) participar de uma reunião da Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo e que era importante eu participar também, mas como eu, à época fazia parte da Educafro (Ong Franciscana que oferece curso a negros, afrodescendentes e carentes, http://www.educafro.org.br/), demorei um pouco para chegar, mas em tempo pude constatar: que a partir daquela conversa os moradores ali reunidos, em parceria com a Secretaria de Cultura passariam a organizar, sistematicamente, eventos culturais no bairro, visando, sobretudo, o desenvolvimento da arte e da cultura local. Essa ideia me chamou bastante  a atenção, justamente, porque  a admistração sinalizava a intenção/possibilidade de dar voz a quem nunca pode falar: a comunidade periférica. Finalmente inicia-se um debate que bem ou mal pode travar uma luta contra os ecos da colonização, que em outros textos já citei seus efeitos negativos no desenvolvimento de uma sociedade autônoma. Já se passaram 3 anos, muitas ações foram desenvolvidas ao longo do tempo. Só para se ter uma ideia neste, período o Jd. da Represa recebeu shows de vários gêneros, entre eles: música classica, forró, pagode, samba, dança afrobrasileira, folclore, e outros, lançou artistas para a televisão e descobriu talentos adormecidos, essas ações de fato fizeram uma revolução no bairro. Ainda por meio dos encontros comunidade/secretaria, o bairro ganhou, também, um Ponto de Cultura, (ainda pouco explorado) cujo principal objeto é a criação de Jornal Comunitário, já lançado e chamado de Folha Verde (um sucesso), a verdade é que ao final do convênio com a Sec e o Minc, nós queremos publicar um livro e ao mesmo tempo abrir uma biblioteca comunitária. Mas eu não ficaria nem um pouco frustrado se o Centro Cultural (a ser, hipoteticamente, construido aqui no bairro) lançasse primeiro essa ideia de biblioteca comunitária. De conversa em conversa os falares e dizeres da comunidade local vem sendo pautado e executado e a medida que se consolida a política de descentralização das ações culturais, novas demandas vão surgindo e eu penso que a bola da vez é discutir a construção de um Centro Cultural no bairro em oposição ao que chamamos de descentralização tentacular. Muito trabalho tem sido feito pela SAB- Sociedade de Amigos do Jardim Represa, pela AMIRP - Associação de Movimento Integrado de Reivindicaçãoes Populares, pela Associação Cultural do Jd. Represa e, sobretudo, pela Secretaria de Cultura, que tem acolhido boa parte das solicitações da comunidade. No entanto, minha preocupação é que todo esse trabalho não seja reconhecido futuramente, visto que ainda não criamos a cultura da formação, difusão e valorização do que é local. Proponho, aqui, uma reflexão para os getores e trabalhadores que nos lerem: como seria as ações culturais no jardim represa a partir da construção de um Centro Cultural como extratégia de descentralização e gestão compartilhada a exemplo do que já ocorre nos Pontos de Cultura?